Carta Aberta

Às Empresas que Exploram, Enganam e Descartam Trabalhadores

Palhaço explorado

Às empresas que se escondem atrás de slogans de inovação enquanto tratam seus profissionais como peças descartáveis:

Esta carta é para vocês.

Para as organizações que usufruem da inteligência, do esforço e da criatividade de seus desenvolvedores, mas se recusam a reconhecer o valor real de quem constrói seus produtos.

Para aquelas que prometem parceria, mas entregam exploração.

Para as que vendem “cultura organizacional” enquanto praticam desumanização.

Estamos cansados.

Cansados de sermos chamados de “recursos”.

Cansados de realizar entregas que geram lucro enquanto o pagamento pelo serviço é atrasado, negado ou empurrado para discursos vazios de “processos internos”.

Cansados de ver colegas sendo demitidos sem explicação, sem diálogo, sem sequer um gesto mínimo de respeito — decisões tomadas no impulso, no capricho ou na frieza de quem enxerga pessoas como números substituíveis.

Vocês esquecem que não existe empresa sem gente.

Esquecem que tecnologia não nasce do nada.

Esquecem que cada linha de código carrega horas de vida, aprendizado, erros, acertos e dedicação de quem tem nome, história e dignidade.

A exploração pode até gerar lucro no curto prazo, mas destrói reputações, equipes, mercados e, principalmente, o que existe de mais valioso: confiança.

Nós, trabalhadores da tecnologia, não aceitaremos mais ser enganados, silenciados ou descartados como objetos de uso rápido.

Não aceitaremos que a palavra “profissionalismo” seja usada como máscara para abusos.

Não aceitaremos que decisões arbitrárias, nascidas da vaidade ou instabilidade emocional de gestores despreparados, ditem o futuro de famílias inteiras.

Exigimos respeito.

Exigimos transparência.

Exigimos relações de trabalho que sejam, no mínimo, humanas.

Que esta carta sirva não apenas como denúncia, mas como alerta:

quem continuar explorando quem produz, cedo ou tarde, ficará sozinho — porque nenhum produto sobrevive quando quem o constrói é tratado como descartável.

A era do silêncio acabou.